Os principais riscos na importação expressa (e como evitá-los)
A importação expressa é uma modalidade amplamente utilizada por empresas que precisam de agilidade logística, desembaraço aduaneiro simplificado e redução de burocracia. Muito comum em operações de e-commerce, reposição de estoque, envio de amostras comerciais e mercadorias de menor volume, o regime de remessa expressa internacional oferece velocidade - mas exige atenção técnica.
Apesar da simplicidade operacional quando comparada à importação formal via DI (Declaração de Importação), existem riscos relevantes envolvendo tributação, fiscalização aduaneira, classificação fiscal e exigências regulatórias.
A seguir, detalhamos os principais riscos da importação expressa e como sua empresa pode mitigá-los de forma estratégica.
1. Classificação fiscal incorreta (NCM)
O risco
A classificação fiscal de mercadorias (NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul) é um dos pilares da operação de comércio exterior. Mesmo na modalidade de remessa expressa, a Receita Federal analisa a descrição e o enquadramento do produto.
Uma NCM incorreta pode gerar:
- Tributação equivocada (pagamento maior ou menor de impostos)
- Multas por erro de enquadramento
- Retificação obrigatória da declaração
- Parametrização para conferência física
- Autuação fiscal
Além disso, a NCM determina se o produto está sujeito a licenciamento de importação (LI) ou anuência de órgãos como Anvisa, Inmetro, MAPA ou Exército.
Empresas que subestimam a importância da classificação fiscal frequentemente enfrentam atrasos no desembaraço aduaneiro e aumento do custo operacional.
✅ Como evitar
- Validar previamente a NCM correta com base na descrição técnica do produto.
- Evitar descrições genéricas como "acessórios", "peças" ou "equipamentos".
- Consultar a Tabela TEC e verificar alíquotas aplicáveis.
- Contar com assessoria especializada em classificação fiscal.
Classificação correta reduz riscos fiscais e acelera o despacho aduaneiro.
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2. Subfaturamento e divergência de valor aduaneiro
O risco
O valor aduaneiro é a base de cálculo do Imposto de Importação e demais tributos incidentes. Ele considera:
- Valor da mercadoria
- Frete internacional
- Seguro (quando aplicável)
A prática de subfaturamento (declaração de valor inferior ao real) é considerada infração aduaneira grave. A Receita Federal pode:
- Arbitrariamente redefinir o valor da mercadoria
- Aplicar multa de até 100% sobre o valor tributável
- Reter mercadorias
- Iniciar processo administrativo fiscal
Além do impacto financeiro imediato, há risco de restrição futura nas operações da empresa.
✅ Como evitar
- Declarar sempre o valor real da transação internacional.
- Manter contratos, invoices e comprovantes de pagamento organizados.
- Garantir consistência entre invoice comercial e pagamento bancário.
- Trabalhar com fornecedores confiáveis.
Transparência documental reduz riscos fiscais e aumenta previsibilidade tributária.
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3. Falta de planejamento tributário na importação expressa
O risco
Muitas empresas acreditam que a importação expressa possui tributação "fixa" ou simplificada demais. Porém, incidem tributos como:
- Imposto de Importação (II)
- ICMS estadual
- Eventuais taxas administrativas
O ICMS, especialmente, pode variar conforme o estado de destino da mercadoria, impactando diretamente o custo final.
Sem planejamento tributário, a empresa pode:
- Comprometer a margem de lucro
- Tornar o produto menos competitivo
- Subestimar o custo real da importação
- Ter impacto negativo no fluxo de caixa
✅ Como evitar
- Realizar simulação tributária antes da operação.
- Incluir todos os tributos no cálculo de formação de preço.
- Avaliar diferença de ICMS por estado.
- Considerar se a importação formal pode ser mais vantajosa em volumes maiores.
Tributação mal calculada compromete a rentabilidade da operação internacional.
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4. Produtos sujeitos a controle especial e órgãos anuentes
O risco
Determinadas mercadorias estão sujeitas à regulamentação de órgãos governamentais, mesmo quando importadas via modalidade expressa. Exemplos:
- Produtos médicos e cosméticos - Anvisa
- Equipamentos elétricos - Inmetro
- Produtos agrícolas - MAPA
- Equipamentos de uso restrito - Exército
A ausência de documentação adequada pode resultar em:
- Retenção aduaneira
- Exigência documental adicional
- Devolução ao país de origem
- Perda da mercadoria
Esse é um dos riscos mais comuns para empresas que iniciam no comércio exterior.
✅ Como evitar
- Verificar previamente se a mercadoria exige anuência.
- Consultar regulamentos técnicos aplicáveis.
- Avaliar se o regime expressa é permitido para o produto.
- Planejar certificações necessárias com antecedência.
- Conhecer as exigências regulatórias evita bloqueios e prejuízos.
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5. Erros na documentação da remessa expressa
O risco
A documentação é determinante para o sucesso da operação de importação. Erros comuns incluem:
- Invoice incompleta
- Divergência entre peso real e declarado
- Descrição técnica insuficiente
- CNPJ incorreto do importador
- Quantidade divergente da mercadoria física
Essas inconsistências podem levar à parametrização vermelha, inspeção física e atrasos na liberação.
Na importação expressa, onde a proposta é agilidade, erros documentais anulam completamente o benefício do regime.
✅ Como evitar
- Revisar invoice antes do embarque.
- Garantir coerência entre documentos e mercadoria.
- Confirmar dados cadastrais da empresa.
- Trabalhar com operadores logísticos experientes.
Documentação correta é sinônimo de desembaraço rápido.
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6. Dependência excessiva da agilidade da modalidade expressa
O risco
A importação expressa é rápida, mas não é imune a:
- Greves ou paralisações
- Fiscalizações intensificadas
- Mudanças regulatórias
- Eventos climáticos
- Alta demanda sazonal
Empresas que trabalham com estoque mínimo (just-in-time) podem sofrer rupturas e atrasos na cadeia de suprimentos.
✅ Como evitar
- Planejar estoque de segurança.
- Monitorar status da carga constantemente.
- Diversificar fornecedores.
- Avaliar previsões sazonais de demanda.
Gestão logística estratégica reduz vulnerabilidade operacional.
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7. Uso recorrente da importação expressa sem análise estratégica
O risco
Empresas que crescem rapidamente podem continuar utilizando remessa expressa quando, na prática, o volume já justificaria:
- Importação formal via DI
- Drawback
- Regimes especiais
- Redução de custos logísticos no frete internacional
Operar no regime errado pode aumentar o custo por unidade e reduzir competitividade.
✅ Como evitar
- Avaliar periodicamente volume importado.
- Comparar custo entre importação formal e expressa.
- Realizar análise financeira da operação internacional.
- Consultar especialista em comércio exterior.
Importação eficiente é aquela alinhada ao estágio de crescimento da empresa.
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Conclusão
A importação expressa é uma ferramenta estratégica para empresas que buscam agilidade, flexibilidade e eficiência logística. No entanto, operar sem planejamento pode gerar riscos fiscais, tributários e operacionais significativos.
Os principais fatores para uma operação segura são:
✔ Classificação fiscal correta
✔ Transparência no valor aduaneiro
✔ Planejamento tributário
✔ Verificação regulatória
✔ Documentação precisa
✔ Estratégia logística
Empresas que tratam o comércio exterior como parte da estratégia de crescimento - e não apenas como compra internacional - conquistam vantagem competitiva, previsibilidade financeira e maior segurança jurídica.
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Categoria: Blog
Publicado em: 12/02/2026



